A investigação policial aponta que a agência integra um contrato publicitário de R$ 16 milhões firmado com o órgão estadual. O caso veio à tona com a deflagração da Operação Tomada de Contas, que resultou na prisão preventiva do presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, além de outras cinco pessoas.
As medidas cautelares e os mandados de prisão foram autorizados pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça.
Documentos do processo indicam que a Zimmermann faz parte da lista de fornecedores cujos pagamentos apresentaram crescimento atípico durante o período de contenção de gastos do tribunal. Entre agosto e outubro de 2024, os valores repassados à agência registraram alta de 291% em comparação com a média mensal do primeiro semestre daquele ano.
A apuração conduzida pelas autoridades busca esclarecer a legalidade dessas transferências financeiras em meio a restrições orçamentárias oficiais.
Vínculos empresariais e societários
Os registros societários da Z3 indicam que a empresa pertence aos empresários João Pedro Zimmermann e João Vitor Zimmermann. Os dois sócios são filhos do empresário Cacildo Lucinei Zimmermann Silveira, conhecido como Nei Silveira, dono da agência Art e Traço e que já integrou o quadro societário da própria Z3 no passado.
Documentos de alteração contratual formalizados em maio de 2025 confirmam a posição dos irmãos na administração da agência investigada.
A conexão entre as empresas também se manifesta em representações comerciais registradas em órgãos públicos. Em dezembro de 2025, Nei Silveira recebeu procuração de seu filho João Pedro para representar a Zimmermann em uma concorrência da Secretaria de Comunicação do governo de São Paulo. A autorização concedia plenos poderes para negociar propostas e assinar documentos em nome da agência mato-grossense.
Outra ligação societária apontada nos autos envolve a empresa Regente Locação de Hardwares, Softwares e Serviços de Informática Ltda. , que tem em seu quadro de sócios Nei Silveira e seus dois filhos. Em Campo Grande, a filial da Zimmermann está cadastrada na Rua Nortelândia, endereço que também é associado à Art e Traço, atualmente denominada A&T Publicidade e Assessoria.
Apesar dessas conexões familiares, os documentos judiciais analisados não apontam Nei Silveira ou a Art e Traço como alvos diretos da operação policial.
Suspeitas de desvios e movimentações atípicas
De acordo com o material reunido pela Polícia Federal, as suspeitas ganharam força após a análise da Portaria nº 126/2024, editada pelo presidente do tribunal para suspender contratos administrativos por noventa dias. A medida foi justificada oficialmente como uma ação de contenção de despesas, mas abriu exceções para serviços considerados essenciais pela presidência.
O cruzamento de dados revelou que, enquanto diversos fornecedores ficaram sem receber, determinadas empresas mantiveram fluxo financeiro positivo.
O relatório da corporação aponta que 1. 624 pagamentos foram realizados pelo tribunal a 94 pessoas jurídicas no decorrer de 2024. Desse total, dezenas de empresas continuaram recebendo recursos antes e depois da suspensão oficial dos contratos administrativos.
A principal hipótese levantada pelos investigadores é a de que a suspensão contratual tenha funcionado como instrumento de pressão para a retenção e posterior devolução de valores a pessoas ligadas à administração do órgão.
Na decisão que fundamentou as prisões, o ministro Og Fernandes destacou que a Polícia Federal identificou um volume de R$ 75,8 milhões em movimentações financeiras consideradas suspeitas entre janeiro e outubro de 2025. O montante engloba operações bancárias fracionadas e saques em espécie realizados por empresas e pessoas físicas investigadas no inquérito.
A origem e a destinação final desses recursos continuam sob análise minuciosa dos investigadores para individualizar a conduta de cada envolvido.
Por Rafael Dumas, direto da redação



