A investigação revela novos desdobramentos sobre a situação funcional de Marcelo Silveira Monteiro, de 45 anos, preso preventivamente sob a acusação de violência doméstica contra a ex-esposa. O servidor público foi oficialmente exonerado do cargo de gerente de Serviços Públicos de Naviraí, município localizado a 359 quilômetros de Campo Grande.

O ato de desligamento consta na edição do Diário Oficial do Município, formalizado pela Portaria número 638 e assinada pelo prefeito Rodrigo Massuo Sacuno.

O documento estabelece o encerramento do vínculo comissionado com efeitos retroativos à data anterior, conforme os registros administrativos locais. De acordo com informações obtidas no Portal da Transparência da prefeitura, o investigado ocupava a função desde janeiro de 2025 e recebia remuneração mensal de 18.173 reais.

Prisão e acusações

A captura do ex-gerente ocorreu em meados de outubro, após ele se apresentar espontaneamente na Delegacia de Atendimento à Mulher de Naviraí. O procedimento policial atende a um mandado de prisão preventiva expedido no âmbito de um inquérito que tramita sob sigilo de Justiça.

Desde o cumprimento da ordem de prisão, o suspeito permanece custodiado na Penitenciária de Segurança Máxima do município.

Conforme apurado pelo Portal de Notícias Campo Grande News, o casal manteve união por 25 anos e havia se separado cerca de um mês antes das denúncias. Os relatos formalizados pela vítima à polícia incluem alegações de violência psicológica, ameaça qualificada, estupro no âmbito doméstico e disparo de arma de fogo.

Um dos episódios mais graves teria ocorrido no início de setembro, quando o suspeito retornou à residência após uma discussão sobre o término e encostou um revólver no peito da mulher.

Histórico e registros anteriores

Durante a ação relatada pela vítima, um disparo de arma de fogo teria atingido um vaso de plantas nas proximidades, enquanto o filho de dez anos do casal presenciava parte da situação. Informações levantadas pela reportagem indicam ainda um antecedente policial envolvendo o ex-servidor no ano de 2020.

Naquela ocasião, policiais militares registraram uma ocorrência na qual o investigado foi flagrado com um revólver calibre . 32 e munições em um estabelecimento comercial da cidade.

O boletim de ocorrência da época detalha que a equipe policial foi acionada por denúncia de homem armado e encontrou o armamento escondido em um banheiro após abordagem. O suspeito foi conduzido à delegacia por porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, mas acabou liberado no mesmo dia.

Posicionamento da defesa

Procurado pela reportagem do Campo Grande News, o advogado Guilherme Almeida Tabosa declarou que a defesa está impedida de comentar detalhes e provas do processo devido ao segredo de Justiça decretado.

O defensor ressaltou que seu cliente se apresentou voluntariamente às autoridades policiais, é réu primário, possui mais de 14 anos de atuação no serviço público e cumpria as medidas protetivas estabelecidas anteriormente.

A defesa informou que o pedido liminar em habeas corpus não obteve êxito durante o regime de plantão judicial, mas o mérito da solicitação ainda será julgado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Os advogados pretendem substituir a prisão preventiva por medidas cautelares alternativas, como o uso de monitoração eletrônica, sustentando que tal providência é suficiente para o andamento legal do caso.

Por Rafael Dumas, direto da redação