As propostas apresentadas pelos candidatos à Presidência da República trazem diretrizes específicas para conter a violência na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia e o Paraguai. Os documentos protocolados no Tribunal Superior Eleitoral detalham estratégias distintas de atuação federal contra o tráfico de drogas e o avanço de organizações criminosas na região.
A disputa territorial entre o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho motivou a inclusão de medidas de segurança nos programas de governo de Luiz Inácio Lula da Silva e de Flávio Bolsonaro. Os registros apontam que a localização geográfica do estado facilita o escoamento de entorpecentes voltados ao mercado internacional, impulsionando índices de homicídios e operações policiais.
O plano do candidato do PT, atual presidente da República, aposta no fortalecimento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado em maio pela administração federal. A estratégia prevê a expansão das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado e a adequação de unidades prisionais aos parâmetros de segurança máxima.
A iniciativa governamental também projeta investimentos de R$ 10 bilhões do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social destinados aos cofres públicos estaduais e municipais. A campanha petista destaca a necessidade de cooperação institucional para sufocar as finanças de milícias e bloquear o fluxo de armamentos nas divisas nacionais.
No âmbito legislativo, o governo federal articula a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição nº 18, conhecida como PEC da Segurança Pública. A matéria avançou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas teve sua votação em plenário adiada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, para evitar análises precipitadas e buscar consensos sobre emendas.
Aposta em novas frentes
Do outro lado, o programa de governo apresentado por Flávio Bolsonaro adota um discurso mais incisivo contra a atual gestão e promete duplicar os gastos federais voltados à segurança pública durante o mandato. O documento aponta que a União destina atualmente 0,4% do orçamento para o setor, índice considerado insuficiente para neutralizar as facções criminosas.
O candidato do PL propõe a criação do Sistema Nacional de Fronteira, estruturado com efetivo militar e emprego de tecnologia para fiscalizar por terra, ar e portos o ingresso de armamentos e entorpecentes no país.
O texto do plano critica a atuação do governo federal e sustenta que a fiscalização atual carece de recursos humanos adequados para a extensão territorial monitorada.
A disputa eleitoral entre os dois nomes será definida no segundo turno marcado para este domingo, após o primeiro pleito registrar vantagem numérica para o candidato liberal. Os dados da Justiça Eleitoral indicam que Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto o atual presidente alcançou 45,16%, configurando uma diferença de cerca de 2,2 milhões de eleitores.
Por Luciana Freitas, direto da redação




