Autoridades militares da coalizão liderada pela Arábia Saudita confirmaram neste sábado a interceptação de um míssil balístico disparado por rebeldes houthis. O artefato tinha como alvo Riad, a capital do país.

Moradores da região metropolitana relataram ter ouvido forte estrondo nas primeiras horas da manhã. Pouco depois, colunas de fumaça foram avistadas nas proximidades do aeroporto internacional.

Nenhum registro de vítimas fatais ou danos materiais graves foi divulgado pelas autoridades locais até o momento. A coalizão classificou a ação como um ato hostil direcionado a centros urbanos densamente povoados.

Novas frentes de combate

Além da capital, os insurgentes iemenitas tentaram atingir infraestruturas civis em outras localidades estratégicas do território saudita. Os alvos incluíram a cidade portuária de Yanbu, terminal de um importante oleoduto nacional, além de Taif, Baysh e Farasan.

Porta-vozes militares dos houthis assumiram a autoria dos lançamentos horas mais tarde. O grupo alegou ter utilizado mísseis de cruzeiro, artefatos balísticos e veículos aéreos não tripulados contra locais considerados sensíveis.

A petroleira estatal Aramco, cujas instalações em Yanbu supostamente estariam na mira dos ataques, evitou comentar o episódio. Os mercados internacionais reagiram com apreensão ao avanço das hostilidades próximas a rotas fundamentais para o transporte global de energia.

Escalada recente de tensão

A ofensiva contra Riad representa a primeira tentativa direta de atingir a capital desde o recrudescimento das hostilidades recentes. Nos últimos dias, a frequência de incidentes armados aumentou consideravelmente na fronteira e em zonas urbanas.

Na última quinta-feira, a defesa civil saudita registrou a primeira morte de um civil em decorrência do conflito atual. Fragmentos de um drone interceptado atingiram e mataram um residente de nacionalidade iemenita.

Dias antes, o governo saudita acusou os rebeldes de tentarem bombardear Meca com o uso de um drone interceptado antes de atingir o alvo. A liderança insurgente negou veementemente a acusação de direcionar ataques ao local mais sagrado do islamismo.

Suporte internacional e cenário militar

Analistas internacionais apontam que o reino saudita enfrenta pressão sobre seus estoques de armamentos de defesa antimíssil. Diante do desgaste logístico, Riad teria buscado apoio técnico e militar junto a governos europeus e aliados regionais.

No interior do Iêmen, os confrontos terrestres ganharam força entre os insurgentes e as forças governamentais reconhecidas internacionalmente. A movimentação recente dos rebeldes em direção ao litoral do Mar Vermelho ampliou o controle sobre rotas marítimas vitais.

A retomada dos combates em larga escala encerra um período de relativa estabilidade que vigorava há quatro anos no território iemenita. As negociações diplomáticas continuam estagnadas enquanto potências estrangeiras monitoram o impacto econômico e humanitário da crise.

Da Redação