As diretrizes da política nacional alemã enfrentam novo teste com a abertura das urnas em Berlim e no estado báltico de Mecklenburg-Western Pomerania. Cerca de 2,5 milhões de eleitores estão aptos a votar na capital, enquanto outros 1,3 milhão participam do pleito regional costeiro.

O resultado dessas votações pode definir a permanência do chanceler Friedrich Merz no cargo após 16 meses de gestão.

A disputa ocorre duas semanas depois do pleito na Saxônia-Anhalt, onde a legenda anti-imigração Alternative für Deutschland obteve seu recorde histórico em eleições regionais. Dados divulgados pela imprensa alemã apontam que a legenda nacionalista atrai votos que tradicionalmente pertencem à União Cristã-Democrata, partido conservador liderado pelo próprio Merz.

A intensidade da derrota nas urnas determinará a capacidade do chefe de governo de sustentar sua liderança.

Pressão sobre o governo federal

Analistas políticos em Berlim avaliam que um revés expressivo pode acelerar discussões sobre a substituição do atual líder ou até mesmo provocar eleições parlamentares antecipadas. Embora o cenário de dissolução do parlamento seja considerado improvável por especialistas locais, a instabilidade na base governista cresce a cada semana. Merz tem rejeitado de maneira veemente os apelos públicos pela sua renúncia.

Segundo declarações recentes do chanceler reproduzidas pelo jornal Süddeutsche Zeitung, o mandato recebido nas urnas tem duração prevista de quatro anos. O chefe de governo afirmou a empresários industriais que pretende utilizar o período restante para conduzir o país para fora da atual crise econômica.

A popularidade pessoal do dirigente sofreu forte retração, atingindo o patamar de 10% de aprovação pública.

A gravidade do momento político levou o governo estadual e federal a alterar a agenda internacional do Executivo. Um oficial do governo confirmou ao canal público ARD que a viagem planejada de Merz para a Assembleia Geral da ONU em Nova York foi cancelada.

A justificativa oficial aponta a necessidade imperativa de presença física do chanceler em Berlim logo após a divulgação dos resultados eleitorais.

Cenário eleitoral e o avanço da oposição

A credibilidade do chefe de governo foi severamente abalada pelo descumprimento de promessas de campanha voltadas à retomada do crescimento econômico na maior economia da Europa. O partido Alternative für Deutschland consolidou-se como a principal força de oposição no parlamento federal. Pesquisas de opinião pública colocam a legenda no topo das preferências em várias regiões do país.

Na Saxônia-Anhalt, a legenda de extrema direita quase alcançou a maioria absoluta necessária para governar sem aliados, conforme relatórios da emissora Deutsche Welle. A sigla busca agora acordos pontuais com dissidentes de outras legendas para tentar formar o primeiro governo estadual de extrema direita desde o período nazista.

Contudo, pesquisas indicam que tal avanço será mais limitado nas urnas deste domingo.

Em Berlim, que também funciona como um dos dezesseis estados federados alemães, a disputa principal polariza o atual partido governista local e a legenda de extrema esquerda Die Linke. A facção esquerdista tem defendido propostas de expropriação de grandes proprietários corporativos como forma de conter a escalada nos preços de aluguéis e moradia.

A pauta habitacional domina o debate na capital alemã.

Desdobramentos institucionais

As seções eleitorais abriram às oito horas da manhã no horário local e encerram as atividades no fim da tarde, momento em que as primeiras projeções baseadas em boca de urna serão transmitidas pelas redes de televisão. Os resultados oficiais parciais devem consolidar o equilíbrio de forças nas legislaturas estaduais até o início da próxima semana.

Lideranças partidárias já mobilizaram equipes jurídicas e de comunicação para acompanhar a apuração em tempo real.

Por Luciana Freitas, direto da redação